Tinamus

Tinamus é um gênero da família Tinamidae da ordem Tinamiformes.
Caracterizam-se pelos dedos livres, três anteriores e um posterior, possuem pernas de comprimento médio e são desprovidas de cauda. Apresentam cores miméticas no colorido da plumagem, em adaptação aos seus hábitos terrestres.

São aves que vivem ocultas no emaranhado de vegetação e, aparentemente não voam com facilidade.

Alimentam-se de bagas, frutas caídas, grãos e sementes duras. Procuram pequenos artrópodes e caramujos que se escondem no tapete de folhagem apodrecida, viram folhas e paus podres com o bico à procura de alimento, mas jamais remexendo o solo com os pés como fazem os galináceos.

Uma peculiaridade dessa família é que são os machos os responsáveis por chocar os ovos e cuidar dos filhotes. O macho faz um ninho numa simples depressão no solo com folhas secas ou capim, onde são depositados ovos de aspecto perolado e de colorido exuberante. As espécies do gênero Tinamus botam ovos de cor verde-turquesa.

Os tinamídeos do gênero Tinamus (no Brasil: T. solitarius, T. major, T.tao e T. guttatus), empoleiram para dormir, e como quase não possuem o dedo de trás, o fazem em galhos grossos (entre 4 e 12 metros do solo) usando os tarsos serrilhados para se equilibrarem. Os dedos ficam estendidos à frente, sem tocarem a madeira. É comum haver sobre o poleiro escolhido, uma abertura na folhagem que permite o voo de fuga da ave.

Tinamus tao - Azulona


  Registros de azulona no WikiAves

A azulona (Tinamus tao) é uma ave cinegética encontrada na Amazônia brasileira e na bacia do alto Paraguai, exclusivamente em áreas da mata-de-terra-firme. Possui mandíbula amarelada e pernas cinza-azuladas, coroa e pescoços escuros, com garganta e faixa no lado do pescoço escamadas de preto e branco. Por cima, cinza oliváceo escuro, com barras e vermiculações pretas. Por baixo, cinza-acastanhado mais claro; crisso ruivo. Sua coloração é de tom cinza-ardósia com matiz azulado. Mede entre 43 e 52 centrímetros e cerca de 1,9 quilos ou mais.

As estreitas afinidades entre o macuco e a azulona sempre foram objeto das cogitações dos sistematas que os estudaram. As diferenças entre eles estão, praticamente, no colorido, já que, morfologicamente, são idênticos. Apenas no peso, nossos dados acusam pequena vantagem para a azulona. É provável que macuco e azulona venham de um ancestral comum e que, por razões climáticas, foram separados pela ocorrência de soluções de continuidade entre as áreas florestadas da Amazônia e do Sudeste (Mata Atlântica). Mantiveram muita coisa em comum, como a voz, igualmente eficiente para ambas, nos biótopos semelhantes em que remanesceram. A azulona apresenta subespécies ou raças geográficas, ao longo de suas áreas de ocorrência, onde divide o habitat com outros representantes do gênero Tinamus, como o inhambu-galinha (Tinamus guttatus) e o inhambu-serra (Tinamus major), este encontrado na mata-de-várzea.

Ocorre na Amazônia brasileira, na região ao sul do rio Amazonas, compreendida entre o oeste do Maranhão e a margem direita do rio Madeira. Encontrada também nas florestas de galeria existentes nos cerrados do Brasil Central, no Mato Grosso, oeste de Goiás e norte do Tocantins, bem como na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guiana..

Tinamus solitarius - Macuco


  Registros de macuco no WikiAves

O macuco (Tinamus solitarius) atinge até 52 centímetros e entre 1,5 a 2,0 quilos de peso médio. As fêmeas geralmente são maiores e mais pesadas que os machos. Possui coloração geral acinzentada com matiz verde-oliva, e desenho críptico nas penas traseiras (retrizes).

Como na maioria dos tinamiformes, o macho do macuco incuba os ovos (3 a 5) por 19 a 21 dias. Os ovos são de coloração verde azulada. Cria os filhotes com grande cuidado parental. Seu ninho é rudimentar, normalmente localizado entre as raízes de grandes árvores ou ao lado de troncos caídos. Quando no choco, é possível aproximar-se muito do ninho, e alguns mateiros conseguem capturar a ave com as mãos, característica que certamente contribuiu e ainda contribui para a sua entrada na lista de aves ameaçadas de extinção.

Sua reprodução em cativeiro é bem-sucedida, devendo ser incentivada para o repovoamento das florestas remanescentes, paralelamente ao replantio de mata nativa, em áreas desflorestadas ou degradadas. Garantindo a preservação futura dessa espécie, e de outras tantas da Mata Atlântica.

Ocorre na Mata Atlântica nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. Também ocorre na Mata Atlântica do sul de Goiás.

Tinamus major - Inhambu-serra


  Registros de inhambu-serra no WikiAves

O inhambu-serra (Tinamus major) mede cerca de 41 centímetros e pesa 1,05 quilos. É ave cinegética.
Muito arisca e cuja plumagem apresenta excelente coloração de camuflagem. Na região Norte do Brasil, divide seu hábitat com outras espécies do gênero Tinamus, como a azulona (Tinamus tao) e o inhambu-galinha (Tinamus guttatus), o menor representante do gênero. Sendo de maior ocorrência nessa região, a subespécie Tinamus major olivascens.

Eles praticam a poligiandria, ou seja, um grupo de machos tem uma relação exclusiva com um grupo de fêmea, e qualquer macho do grupo pode se acasalar com qualquer fêmea do grupo. Uma vez fertilizada, a fêmea põe cerca de três ovos (arredondados de cor azul) em cinco ou seis dias. Os ovos são depositados sobre folhas ou entre raízes, sem proteção alguma, e transfere a responsabilidade de chocar os ovos para o macho. Ele passa os próximos 17 dias chocando e tentando protegê-los.

Ocorre no Amazonas, Pará e norte do Mato Grosso. Ocorre também do México à Bolívia.

Tinamus guttatus - Inhambu-galinha


  Registros de inhambu-galinha no WikiAves

O inhambu-galinha (Tinamus guttatus) mede cerca de 34 centímetros de comprimento. Sua vocalização consiste em piados graves e esparsos. Também é conhecido como inhambu-serra, macuquinho e nambu. É a menor espécie do gênero Tinamus, (“inhambus” que empoleiram para dormir), igualando-se em porte a um exemplar do jaó-do-sul ou zabelê (Crypturellus noctivagus), um dos maiores Crypturellus.

Na nossa Amazônia, essa espécie cinegética, dentre outros Tinamídeos, é um importante recurso alimentar para as populações ribeirinhas e de selva adentro; por ser relativamente abundante.

Nas grandes cheias dos rios amazônicos, são capturados em grande número quando, expulsos pela enchente, tentam cruzar voando os largos rios, caindo n'água exaustos próximo às margens, ou quando se chocam em vôo com a densa vegetação ciliar, embora nadem relativamente bem e por extensões consideráveis.

Essa “coleta” sazonal, faz parte dos costumes tradicionais dos brasileiros nativos da região amazônica. — Marcos Massarioli 2011/04/21 12:06

Ovos azul-esverdeados. Fêmeas comumente maiores que os machos, e esses, tendem a apresentar mais manchas (pintinhas) no dorso. O piado do macho geralmente é menos grave que o das fêmeas.

Habita a floresta de terra firme, bem como a mata de várzea. Seu piado é em tom grave e gutural, e que por vezes assusta pessoas inexperientes, quando ouvido de perto.

Tem ocorrência tipicamente amazônica no Brasil (em todos os estados do Bioma), Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Referências externas